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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Princípios de uma Educação Cristã


Paz em Cristo!

Abaixo segue um brilhante texto sobre a confluência da Teologia e Padagogia (título original do artigo). Recomendo-o a todos os professores, mestres e pastores. Dá-nos uma visão ampla e crítica do que precisa ser um processo de aprendizagem centrado na Bíblia, na vontade soberana de Deus e na disciplina que não só corrige, mas faz gerar frutos.

Para uma filosofia da educação cristã, é básico que o ensino esteja baseado em uma sã teologia e doutrina bíblica do homem. Sendo Cristo o Senhor, o homem não pode sê-lo. A soberania de Deus exclui a soberania do homem. A soberania de Deus significa que nossos critérios educacionais devem derivar da Escritura, não do homem.

Isto significa que, em razão da Escritura deixar claro que o homem é uma criatura caída, vivendo em um mundo caído, a educação deve tratar com o fato do pecado. A educação não é evangelismo: é instrução. Em todas as áreas da instrução, as pressuposições se extraem da Escritura, não do homem. Deste modo, na biologia, a base para a teoria da evolução não está na informação biológica, mas no esforço do homem para eliminar Deus do universo. De modo que, o que atrai na teoria é religioso, não científico; não explica de maneira satisfatória nada com respeito ao universo, porém satisfaz a hostilidade do humanista para com Deus. Uma filosofia cristã da educação reconhecerá as pressuposições da educação não cristã e se concentrará em desenvolver pressuposições bíblicas como a única base sólida para uma resposta e perspectiva cristãs. Em outras palavras, os homens pensam e agem em termos do que crêem; a fé governa a vida, e as pressuposições determinam nossas ciências, artes e filosofia.

Isto significa, como se indicou, que existe uma relação necessária entre a fé e o conhecimento. O que sabemos é produto do que cremos. O progresso das ciências no ocidente cristão não é uma casualidade. Somente é possível ciência onde existe a fé em um Deus cujo conselho de predestinação introduz uma lei e uma ordem totais no universo. O relativismo faz com que a ciência seja finalmente impossível; o mesmo sucede com o politeísmo: não pode existir nenhum universo, apenas um multiverso que não tem nenhuma verdade nem significado comum.

Nossa perspectiva deve ser determinada pela teologia, não pela biologia. O homem é produto, não da biologia, mas da palavra criativa de Deus. Isto significa que a determinação teológica é anterior à biologia, e que o determinismo biológico não tem validez.
Assim, a perspectiva moderna encara a adolescência com sua fase tempestuosa, tensa, rebelde e pretensamente independente como realidades biologicamente determinadas e naturais para o homem. Porém, de fato, a adolescência é um produto cultural, a marca distintiva de uma cultura decadente, e é quase desconhecida na história da civilização fora da era moderna.
Na maioria das culturas, o que chamamos adolescência é mais um tempo de imitação cuidadosa e atenta dos adultos e da geração mais velha. Os jovens, ingressando na vida madura e no trabalho, estão preocupados em aproximar-se cada vez mais do mundo dos adultos e serem aceitos por eles. Em lugar de rebelar-se contra a geração adulta, os jovens buscam ingressar e se iniciar no mundo dos adultos. Foi somente porque o existencialismo coroou o isolamento e a independência radical que os jovens associam a chegada da maturidade física com uma declaração de guerra e independência. Simplesmente estão representando assim o rito necessário de “confirmação” religiosa do mundo moderno. O jovem cristão é confirmado na fé de seus pais na medida em que se aproxima da maturidade; o rito de confirmação do jovem humanista é a adolescência e sua rebeldia ou existencialismo.

A disciplina é fundamental para a educação cristã, porém não se deve confundi-la com castigo. A raiz do termo disciplina é discípulo, e o verdadeiro ensino faz da criança um discípulo feliz e entusiasmado de Cristo, apto para aprender porque ser capaz e estar completamente empenhado no serviço de Deus é um aspecto necessário e honroso da vida em aliança. O castigo é um recurso último, embora necessário. A verdadeira disciplina é positiva; o castigo é negativo. A disciplina estabelece metas, padrões, exigências, provas e medidas. A disciplina cria uma motivação e um relógio internos, de modo que a vida da criança se torna progressivamente uma vida disciplinada, e a disciplina se torna uma parte natural da vida da criança, e isto também de maneira permanente. A disciplina cria uma relação vital entre a fé e os hábitos, de modo que a fé do indivíduo se converte em uma fé disposta e ativa.

A educação é, por necessidade, não somente teológica por natureza, mas também teocêntrica. Centra-se em Deus porque Deus, como Senhor, requer que todas as coisas o sirvam. O Catecismo Menor de Westminster nos diz que “o fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo eternamente”. Todas as áreas da vida e pensamento devem estar alinhadas com este propósito, e especialmente a educação. A educação humanista tem como fim glorificar o homem e capacitá-lo para que desfrute a si mesmo; isso é algo que sempre estará fadado ao fracasso. A educação cristã não pode ser educação secular com um pouquinho de Bíblia. Não se adiciona a Bíblia a um currículo pronto; a Bíblia deve estabelecer, governar e condicionar o currículo, ou não teremos uma educação cristã.

Autor: Rousas J. Roshdoony
Tradução: Márcio Santana Sobrinho
Fonte: The Philosophy of the Christian Curriculum, p. 162-164.

*Edward Shorter: The Making of the Modern Family, pp. 76, 98-102, 106, 114-116, 251. New York, N.Y.: Basic Books, 1975.


Natanael Lima











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